quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O que estamos vendo emergir entre nós tem um outro nome.

Primeiro foi o Roger a agredir covardemente Marcelo Rubens Paiva; perdeu em argumentos e, de forma desumana, zombou do seu pai, torturado e assassinado na ditadura militar. Depois, o dia de ontem. Esse fenômeno dos ataques raivosos, da política feita de forma figadal, o da monstruosidade que não encontra mais nenhum limite, é algo novo que emergiu no país não tem muito tempo.
Eu tava pra falar nisso, acho que esse é o momento: Penso que confundir essa imundice que está aí com o pensamento liberal-conservador, é um erro gravíssimo e um enorme preconceito que se comete. (vale lembrar que boa parte do ditos progressistas volta e meia mostram tb a sua falta de escrúpulos, usando até Hitler de forma indiscriminada) Embora os vestais que se portam socialmente dessa forma abjeta estejam sim mais inclinados a direita, fazer essa distinção, nesse momento, é fundamental para uma convivência salutar e democrática de opiniões. Precisamos separar de uma vez por todas ideologia política de “doença espiritual”. O pensamento liberal de sociopatia avançada. Creio que o momento de luto nacional seja oportuno.
O pensamento liberal, conservador, da Escola de Friedman, teve aqui no Brasil seus representantes como Bulhões, Campos, Simonsen, por exemplo. Embora tenham sido gurus dos militares e levado o Brasil, a época, a um dos países mais desiguais do mundo, eram pensadores sérios, gente que merecia ser respeitada, como faço questão de registar merecem todo o respeito as pessoas de pensamento conservador consistente. Eu conheço algumas que respeito profundamente e nutro admiração pela trajetória de vida familiar e profissional.
Mas, infelizmente não posso dizer o mesmo do que sobrou hoje em dia. A direita brasileira, aos mais jovens, principalmente, sobrou hoje um só guru: chama-se Olavo de Carvalho. Como muito bem disse o jornalista Paulo Nogueira, ele é, hoje, uma espécie de chefe de seita para a essa “nova direita”, uma garotada (alguns já mais crescidos) que não tem tempo para se informar, e que é quase doutrinada a fazer política na base de enfurecimento e de ataques ferozes. Olavo de Carvalho está muito longe de ser um notável como Roberto Campos, trata-se de um fundamentalista que remete aos pregadores evangélicos mais exaltados que tem por aí. Essa figura foi feita para o novo “analfabeto político” , um tipo de seguidor que se informa de manchetes, que quer certezas rápidas pois precisa emitir opinião sobre aquele assunto, mesmo que deixe a todos chocados -pouco importa - a ideia é gerar o caos e se valer no meio da gritaria. É nessa levada que surgiram as suas crias: Pondé, Villa, Gentille, Lobão, Magnoli, Mainardi, Constantino, Roger e por aí vai...
Então, como disse um amigo, isso que estamos vendo hoje em dia, NÃO é o pensamento liberal, isso é outra coisa; isso não é sequer o pensamento ultra-conservador que, rejeite-se ou não, tem uma coerência, uma visão militarizada da vida social. Faço questão de falar isso, pelo respeito as visões ideológicas divergentes, por uma convivência mais cordial; não é justo que a direita seja tratada como se fosse um bloco monolítico, quando não é. Existe ainda o pensamento de matriz liberal, pessoas conservadoras com um discurso consistente, algumas merecem respeito por sua erudição, inteligência e capacidade analítica. Mas há também esses que citei aí, gente cuja ideologia é somente atacar, ladrar, xingar sem nenhum escrúpulo ou critério, espalhar o ódio, atiçar as pessoas e recrutar sua legião de psicopatas. A esses, como Roger, eu abomino.



terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa traz a tona velha discussão sobre futebol arte

"Eu acho inacreditável que, em pleno ano 2014, ainda haja esse pensamento antiquado que pensa o futebol como um espetáculo circense. O futebol não tem essa finalidade, é um esporte, praticado por atletas, não tem que agradar os olhos de jornalistas saudosos e nem a obrigação de fazer alegria do torcedor que quer ver um show. O futebol, como qualquer outro esporte, é um jogo feito pra vencer e ponto. Pergunte aos jogadores lá dentro, pergunte aos treinadores se eles trabalham nessa perspectiva. Principalmente num torneio de 'tiro curto' como a Copa do Mundo. 


Há  um senso comum, gerado pela mídia esportiva, que acostumou o torcedor a tratar uma partida de futebol como se trata uma obra de arte. Jogou "bem", jogou "mal", o futebol tá "bonito", ou tá "feio", etc. O que tem que ser levado em conta antes de mais nada, numa equipe de futebol que vai disputar uma competição é:

- A organização tática. A forma como esse time se posta em campo. O padrão de jogo da equipe. Você precisa olhar pro time e enxergar um modo de jogar, um estilo, alguma forma de organização mínima. Isso faz com o que o time tenha a segurança necessária para impor seu jogo em campo. 

-A regularidade. Não basta ter uma forma e um padrão mínimo definido é preciso botar pra rodar, ter sequência, ir tomando corpo.

-  A compactação. É na aproximação das linhas que se diminui a vulnerabilidade. Um time compactado, como bem observou Veríssimo sobre a França, não deixa espaços, não deixa o famoso "queijo suíço " entre meio campo, defesa e ataque. Só uma equipe coesa tem condições de fazer a bola girar, ou mesmo de organizar contra-ataques. De nada adianta "matar a bola sete",  se não souber também observar onde está "caindo a bola branca". Isso tudo precisa estar muito bem afinado ali no campo. 

Depois do preparo físico e psicológico, essas três coisas são básicas, para  se dizer: Esse time está minimamente pronto para competir. Pode perder aqui, se recuperar depois, sacudir a roseira acolá, mas será sempre o mesmo, oscilará muito pouco.. Pode ter um craque, não ter, jogar com dois, três zagueiros, sem centroavante, tanto faz, o que importa é que está organizado e tem condições mínimas de pleitear o seu objetivo máximo. O resto , por mais importante que seja também, vem na sequência.

A seleção brasileira não tem nada disso. Ela simplesmente não tem a espinha dorsal de uma equipe de futebol. É isso que precisa ser analisado, é essa a crítica o resto é torcida, palpite e esparrelas dos eternos corneteiros e  "analistas do depois" .

Eu digo isso, pois acho incrível observar como os argumentos sobre o destino da seleção brasileira já vão começando a tomar corpo na grande mídia. As justificativas da vitória e da derrota já estão prontas. A da vitória vai pelo caminho de que não tem nenhuma seleção muito acima da média e o Brasil, mesmo jogando um futebol pro gasto, pode chegar lá. A da derrota, é essa que o treinador já começa a sutilmente(ou seria espertamente?) a vender, que o fator emocional pesou sobremaneira numa equipe de "meninos".

Tudo não passa de um grande teatro, de uma grande bobagem. Acho que o Brasil pode sim chegar lá; embora a essa altura dificilmente vá achar algum jogo, mas pode funcionar, na base da retranca, pois tem boa defesa, tem um craque que pode decidir, ou mesmo no improviso ali do momento,; no futebol meu amigo, nunca é bom desprezar nada.

Por isso, a crítica não deve ser em cima da possibilidade ou não de se chegar ao  título, mas sim da preparação que ofereça a devida segurança no caminho. A preparação da seleção brasileira de futebol é um desastre. É ela que deve ser questionada.

ps: Se o Brasil for campeão jogando a sua bola dessa forma até o final - salvo pela trave, pelo gongo, ou por tudo o mais que não seja sujo-  terá sim os méritos de um campeão mesmo que não tenha sido devidamente preparado por quem teve essa responsabilidade. 



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Copa do Mundo e os mitos que ainda persistem


O dinheiro investido nos estádios poderia ser investido na educação?

Não. Esta é uma frase folclórica, um slogan repetido por aí há meses sem o menor sentido. O dinheiro para educação é da monta de quase três vezes do total investido no evento inteiro. Uma verba não tem nada, absolutamente nada a ver com a outra.

Infelizmente, o argumento desconhece a natureza e os labirintos de um orçamento público e da previsão orçamentária nacional. Só que é repetido incessantemente por gente de boa fé, alguns inocentes-úteis , mas tb por muita cobra-criada que sabe como a coisa funciona, mas se faz de desentendida pra ver o circo pegar fogo.

Aí entra o papel das velha mídia e dos arautos do caos. Como as oposições midiáticas e partidárias não podem expor o seu programa verdadeiro, o que lhes resta é apostar no caos, numa catástrofe que arrebente o país por dentro e internacionalmente. Nada melhor do que a Copa. Nada melhor do que o fracasso da Copa. Assim, nada melhor do que a violência durante a Copa.

Os arautos na mídia dizem que são contra, que não pregam a violência. De fato: não pregam. Mas chamam. Esperam. São ardilosos, provocam incitam até onde podem o reacionarismo na classe média, depois que o saco de neguinho explode e reage nas ruas, aí eles se fazem de democratas e pacíficos, criminalizam e entregam black blocs  e sininhos de bandeja pra sociedade linchar a vontade. Se conseguíssemos perceber só uma parte do movimento das mentes que comandam os meios de comunicação no Brasil, certamente seríamos cidadãos  menos manipuláveis.

Outro dia,, na entrevista de um black bloc no  Estadão, um deles dizia que ‘foram abandonados pelo Movimento Passe Livre’. Desculpa mas só dando muita risada disso. Caramba, não é justamente o contrário?! A presença deles é que esvazia as manifestações, e até as impede, como já  aconteceu com  a manifestação suspensa dos motoristas e cobradores no Rio de Janeiro, e dos professores ano passado.

Já falei o que penso, protesto é justo e legítimo. Tenho protestado contra a corrupção na Fifa há mais de dois anos, indo para as ruas, apoiando os moradores da Vila Autódromo, ao lado dos moradores da Adeia, do Horto e tudo que esteja envolvido na lógica das remoções do capital na cidade. Mas é bom que saiba bem o que se quer, que se tenha informação para não se deixar tomar pelo ódio e a violência como método  e não como justa defesa de um movimento popular organizado.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Não, você não é melhor do que ninguém, não do que esse homem, isso eu garanto.

Eu queria dizer aquelas pessoas que tenho visto por aí atacarem de forma estúpida Philip Seymour Hoffman, o ator extraordinário encontrado morto em sua casa, no domingo, que procurem olhar mais a si mesmas, observar mais as suas vidas, antes de falar de alguém e do que leva uma pessoa a fazer isso ou aquilo consigo mesma.

A morte por overdose de heroína é algo terrível, nos deixa perplexos pois o desfecho é mesmo assombroso. Mas, por favor, não vamos nos esquecer que estamos falando de um ser humano de um talento fenomenal, que em suas atuações arrebatadoras já elevou  a almas de milhares de pessoas mundo afora, como o enfermeiro de Magnólia, ao se fazer, com extrema delicadeza, de "ponte" para o perdão entre pai e filho.

Não, você não é melhor do que ninguém, não do que esse homem, isso eu garanto. Chega de hipocrisia.

Você que hoje só consegue rir de verdade depois de algumas doses de álcool e, sem se dar conta, foi perdendo aos poucos o cheiro e o sabor das coisas boas dessa vida.

Você que não passa um dia sem umas boas tragadas no cigarro, cujo nível de dependência física é o mesmo da droga de escolha de Phil, que além do mal que causa a si mesmo as vzs tb colabora para provocar mal em terceiros, já que o fumo passivo é uma das maiores causas de morte no mundo.

Você que não resiste ao consumo de produtos que nem deseja mais, saiba que sua oniomania tb é um distúrbio.

Você que só consegue ter prazer numa conversa quando está envolvendo terceiros e fazendo futrica.  Não há droga mais pesada para o espírito humano do que a maledicência.

Você que ataca políticos e PMs com todo seu ódio,  mas que, atolado em suas pequenas corrupções diárias, é incapaz de ver a parte que lhe cabe nesse desmando social que vivemos.

Você que elege seus heróis e seus bandidos fabricados pelos meios de comunicação, que não tem o mínimo cuidado com aquilo que professa e divulga e leva uma vida desapegada da justiça, saiba que pior do que viver no engano, é colaborar para levar outras pessoas para o mesmo lugar.

Você escravo da vaidade cuidado, overdose de si mesmo tb mata, pois nada mais angustiante e definhador do espírito do que tentar preencher um vazio de alma com aquilo que não somos.

 Eu, com meus vícios de conduta que afetam aqueles que me amam, questões recorrentes que atrapalham minhas relações com as pessoas, meus eventuais descontroles e outras coisas, muitas das quais sequer imagino...

Não somos melhores do que ninguém, pelo menos não do que esse homem. Enquanto estivermos nesse corpo, nesse planeta, podemos até fazer um outro movimento em direção a nos tornarmos seres um pouco mais limpos de todas essas "drogas", e tb mais conscientes;  mas creio que sempre teremos algo de nós preso a 'alguma pedra na estrada', pra gente nunca se esquecer de quem somos. E não julgarmos ninguém.

Ninguém é melhor do que ninguém, ninguém. Daquela líder política defensora do verde, que prega o novo  mas se alia aos velhos coronéis que tanto criticou, do presidente de côrte que a cada dia mostra parecer  ter as mesmas práticas que condena, do jovem "bem-nascido" que faz justiça pelas próprias mãos mas que dirige bêbado colocando a vida de inocentes em risco; dos líderes espirituais das mais belas palavras, desde os que manipulam pessoas pobres com seus dízimos, os que impedem o desenvolvimento da ciência e jogam contra a vida humana até o mais dócil dos seres, que prega a simplicidade mas permite que lhe beijem os pés.

Se olharmos mais para dentro de nós mesmos, talvez não sejamos mais tão agressivos com todos os alvos fáceis que essa rede social nos oferece diariamente pra bater, talvez sejamos mais tolerantes com as diferenças e os 'pecados' alheios, possivelmente nos desintoxicaremos das porcarias que nos consomem e certamente seremos mais confiantes a ponto de não colocar nossa felicidade em nada nem ninguém nesse mundo.

Descanse em paz, Phil!


Uma pequena homenagem a Eduardo Coutinho

Republicando post de 2011 (Sobre o documentário "As canções")

O novo documentário de Eduardo Coutinho ( de Edifício Master) é um espetáculo pra se aplaudir de pé! E é exatamente isso o que o cinema faz, ao final da sessão. Aplausos e lágrimas. Nesse filme não há paisagem, fotografia ou retrato de nada..O cenário é o palco, a cadeira, o sujeito;  a imagem é pra dentro, pra dentro daquelas vidas, daquelas pessoas cheias de história tão comuns e ao mesmo tempo tão singulares.

Um mergulho profundo que damos dentro de almas tarimbadas pelos anos e pelas vicissitudes da vida -  almas cheias de vida, vidas cheias de tudo que se possa imaginar, e as canções (de cada um, a cada maneira) estão ali, como uma espécie de trilha sonora do tempo e do "filme" de cada "personagem".

Impressionante ver o que Coutinho consegue arrancar das pessoas.  Que talento pra disparar emoção de forma simples e deixar as coisas fluirem, por conta de cada um, que parece dar ali muito mais do que o diretor necessita.

E claro não dá pra deixar de falar no poder mágico e transformador da música. Seja no trabalho, no carro, no banheiro, ou atravessando a rua assobiando uma canção...Como dizia Bob Marley: "É o sopro de Deus na vida do homem!"

É esse o tipo de justiçamento que queremos? O que estamos nos tornando em pleno séc XXI, bárbaros medievais? É isso??!

"A mentalidade reaça de muita gente abastada provoca um prazer doente e grosseiro com a imagem do negro pobre favelado no pelourinho improvisado. Uma sociedade que tortura grande parte da sua população, justamente a destinada aos serviços mais pesados e necessários - mas que não garante alimentação, moradia, atendimento médico, escola de verdade, cidadania, informação,... - não tem moral pra punir os criminosos que ela mesma cria, com a miséria em oceano à volta de bolhas de luxo e classes médias apavoradas e isoladas em seus condomínios, atrás de cercas eletrificadas, de guaritas e segurança particular. Cegos em sua visão primária, raivosa e terrorista, não querem justiça social, não querem os direitos básicos da maioria atendidos, não querem um ensino de qualidade, nem cidadania para todos - o que desejam é vingança, tortura, como se a criminalidade se produzisse por conta própria. A velha prática de culpar as vítimas, sem perceber que elas agem da mesma forma que o Estado age com elas, desde o nascimento. Cegueira classista de quem não admite enxergar a realidade como ela é, por pura conveniência de seus interesses mesquinhos, egoístas, de sua alienação voluntária - daí o ódio sem limites.Esta cena deprimente aconteceu no Flamengo, sábado. Uma demonstração do que é a nossa sociedade, um sintoma da guerra social subterrânea criada pra manter tudo como está, ou seja, um punhado de podres de ricos por cima de tudo, e o resto existindo em sua função, iludidos com promessas de consumos impossíveis e desfrutes improváveis pra maioria. (Eduardo Marinho)

Compartilho da indignação do amigo



Precisamos falar sobre Dilma

O mundo carece disso.  A cultura da simplicidade é vital no combate ao grande mal de nossos dias: a desigualdade. O oposto dela – o culto da opulência e do consumo conspícuo – acaba levando a uma corrida frenética para ver quem tem mais dinheiro, e a raiz de iniquidade reside aí.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Após assistir a Lixo Extraordinário, uma certeza:

Não é aqui o lugar. Tem algo muito maior...

OAB: Joaquim Barbosa tem as mesmas práticas que condena

"Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ex-presidente da instituição, Wadih Damous, muitas coisas que ele faz deveriam ser consideradas condenáveis, mas, por se tratar do ministro Joaquim Barbosa, se tornam aceitáveis Para Wadih, o ministro foi endeusado pela imprensa e pela sociedade, o que torna ações como essa admissíveis aos olhos da opinião pública. O magistrado ainda traça um paralelo, ilustrando como o pagamento de diárias seria encarado se o beneficiado fosse o senador Renan Calheiros.

"Vou fazer um paralelo para você: vamos imaginar que esse caso estivesse acontecendo com o senador Renan Calheiros. Seria manchete de todos os jornais, de todos os editoriais, seria um escândalo nacional. Como se trata do ministro Joaquim Barbosa, tudo é permitido. Quase não sai uma nota de rodapé, os colunistas evitam tratar desse assunto. É tão grave quanto o Renan Calheiros cortar cabelo com dinheiro público", exemplifica Damous.
O jurista também condena a criação de "verdades absolutas" sobre autoridades como Joaquim Barbosa, que ganhou notoriedade e admiração exacerbadas após ser relator do mensalão. "Está se criando no Brasil, sobretudo por conta do processo do mensalão, verdades absolutas, em que algumas pessoas e autoridades são blindadas e praticam as mesmas mazelas que dizem perseguir, que dizem estar ali para punir. O Joaquim Barbosa é uma delas, tornou-se uma delas. A qualquer ato dele, é tratado como 'homem do povo'"

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Marina desagrega e deseduca

Muito boa as considerações de Erundina  (PSB) sobre a líder da Rede . Marina, com seu discurso confuso,  cai na vala comum daqueles que odeiam a atividade política, tudo o que a mídia tradicional tenta fazer diariamente com a cabeça de seus seguidores. Os puristas, aqueles que mesmo sendo incessantemente alertados acreditaram na sua envergadura moral, acabaram percebendo que no fundo Marina não passa de uma moralista, uma figura contraditória e em alguns momentos até estranha. E já pularam desse barco.  A líder “verde”, apontou todos os dedos que podia para a classe a qual pertence, para, no final das contas, se aliar aos velhos coronéis do Nordeste e jogar o interesse dos empresários e banqueiros.

Enfim, a Marina que surgirá na campanha, virá agora mais maquiada do que nunca, para conseguir convencer seu eleitorado restante. A minha previsão é que não vai ser difícil. O público pra quem ela fala, agora, tem (regra geral) um perfil muito definido de comprar sem pestanejar o que a velha mídia empurra. São os que idolatram Barbosa e apedrejam Genoíno. Os que acreditam em santos e demônios, mas não veem que, em se tratando de política, isso não existe.

O que existe são cidadãos conscientes, que cobram dos seus representantes e sabem muito bem o jogo que é jogado ali. Criticam, apoiam e até pressionam; e,  no lugar do  linchamento fácil, preferem olhar primeiro para suas condutas.  


Mujica: Um homem a frente do seu tempo

Cada vez mais popular tanto nas redes sociais como na mídia tradicional, o presidente do Uruguai, Pepe Mujica, arrisca-se a sofrer um processo de diluição de imagem semelhante ao que atingiu Nelson Mandela. Aos poucos, cultua-se o mito, esvaziado de sentidos — e se esquecem suas ideias e batalhas. Por isso, vale ler o diálogo que Pepe manteve, no final do ano passado, com o jornalista catalão Antoni Traveria. Publicada no site argentino El Puercoespín, a entrevista revela um presidente que vai muito além do simpático bonachão que despreza cerimônias e luxos.

Todo o falatório em torno de PIB de 1% ou de 2% nada significa diante da queda do desemprego a apenas 4,6%

domingo, 5 de janeiro de 2014

domingo, 22 de dezembro de 2013

Em 2014 a Reforma Agrária tem que entrar na agenda do governo

O ano que está indo embora entra para  história como o pior ano para RA. Isso deveria ser uma vergonha para um governo progressista. Já se vai uma década e ainda estamos aqui exigindo uma bandeira do século retrasado. A trégua tem que acabar. Chegou a hora do movimento social pressionar o governo, retomando a agenda das grandes ocupações.

http://www.mst.org.br/node/15579

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Para sempre em nossos corações


Leonardo Boff e o mal que Joaquim Barbosa está fazendo ao país

"Com o Ministro Barbosa a Justiça ficou sem as vendas porque não foi imparcial, aboliu a balança porque ele não foi equilibrado. Só usou a espada para punir mesmo contra os princípios do direito. Não honra seu cargo e apequena a mais alta instância jurídica da Nação."
Tradicionalmente a Justiça é representada por uma estátua que tem os olhos vendados para simbolizar a imparcialidade e a objetividade; a balança, a ponderação e a equidade; e a espada, a força e a coerção para impor o veredito.
Ao analisarmos o longo processo da Ação Penal 470 que julgou os envolvidos na dita compra de votos para os projetos do governo do PT, dentro de uma montada espetacularização mediática, notáveis juristas, de várias tendências, criticaram a falta de isenção e o caráter político do julgamento.
Não vamos entrar no mérito da Ação Penal 470 que acusou 40 pessoas. Admitamos que houve crimes, sujeitos às penas da lei. Mas todo processo judicial deve respeitar as duas regras básicas do direito: a pressunção da inocência e, em caso de dúdiva, esta deve favorecer o réu.
Em outras palavras, ninguém pode ser condenado senão mediante provas materiais consistentes; não pode ser por indícios e ilações. Se persistir a dúvida, o réu é beneficiado para evitar condenações injustas. A Justiça como instituição, desde tempos imemoriais, foi estatuída extamente para evitar que o justiciamento fosse feito pelas próprias mãos e inocentes fossem  injustamente condenados mas sempre no respeito a estes dois princípios fundantes.
Parece não ter prevalecido, em alguns Ministros de nossa Corte Suprema esta  norma básica do Direito Universal. Não sou eu quem o diz mas notáveis juristas de várias procedências. Valho-me de dois de notório saber e pela alta respectabilidade que granjearam entre seus pares. Deixo de citar as críticas do notável jurista Tarso Genro por ser do PT.
O primeiro é Ives Gandra Martins, 88 anos, jurista, autor de dezenas de livros, Professor da Mackenzie, do Estado Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra. Politicamente se situa no pólo oposto ao PT sem sacrificar em nada seu espírito de isenção. No da 22 de setembro de 2012 na FSP numa entrevista à Mônica Bérgamo disse claramente com referência à condenação de José Direceu por formação de quadrilha: todo o processo lido por mim não contem nenhuma prova. A condenação se fez por indícios e deduções com a utilização de uma categoria jurídica questionável, utilizada no tempo do nazismo, a “teoria do domínio do fato.” José Dirceu, pela função que exercia “deveria saber”. Dispensando as provas materiais e negando o princípio da presunção de inocência e do “in dubio pro reo”, foi enquadrado na tal teoria. Claus Roxin, jurista alemão que se aprofundou nesta teoria, em entrevista à FSP de 11/11/2012 alertou para o erro de o STF te-la aplicado sem amparo em provas. De forma displicente, a Ministra Rosa Weber disse em seu voto:”Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Qual literatura jurídica? A dos nazistas ou do notável jurista do nazismo Carl Schmitt? Pode uma juiza do Supremo Tribunal Federal se permitir tal leviandade ético-jurídica?
Gandra é contundente:”Se eu tiver a prova material do crime, não preciso da teoria do domínio do fato para condenar". Essa prova foi desprezada. Os juízes ficaram nos indícios e nas deduções. Adverte para a “monumental insegurança jurídica” que pode a partir de agora vigorar. Se algum subalterno de um diretor cometer um crime qualquer e acusar o diretor, a este se aplica a “teoria do domínio do fato” porque “deveria saber”. Basta esta acusação para condená-lo.
Outro notável é o jurista Antônio Bandeira de Mello, 77, professor da PUC-SP na mesma FSP do dia 22/11/2013. Assevera:”Esse julgamento foi viciado do começo ao fim. As condenações foram políticas. Foram feitas porque a mídia determinou. Na verdade, o Supremo funcionou como a longa manus da mídia. Foi um ponto fora da curva”.
Escandalosa e autocrática, sem consultar seus pares, foi a determinação do Ministro Joaquim Barbosa. Em princípio, os condenados deveriam cumprir a pena o mais próximo possível das residências deles. “Se eu fosse do PT” – diz Bandeira de Mello – “ou da família pediria que o presidente do Supremo fosse processado. Ele parece mais partidário do que um homem isento”. Escolheu o dia 15 de novembro, feriado nacional, para transportar para Brasília, de forma aparatosa num avião militar, os presos, acorrentados e proibidos de se comunicar. José Genuino, doente e desaconselhado de voar, podia correr risco de morte. Colocou a todos em prisão fechada mesmo aqueles que estariam em prisão semi-aberta. Ilegalmente prendeu-os antes de concluir o processo com a análise dos “embargos infringentes”.
O animus condemnandi (a vontade de condenar) e de atingir letalmente o PT é inegável nas atitudes açodadas e irritadiças do Ministro Barbosa. E nós tivemos ainda que defendê-lo contra tantos preconceitos que de muitas partes ouvimos pelo fato de sua ascendência afrobrasileira. Contra isso afirmo sempre:“somos todos africanos”porque foi lá que irrompemos como espécie humana. Mas não endossamos as arbitrariedades deste Ministro culto mas raivoso. Com o Ministro Barbosa a Justiça ficou sem as vendas porque não foi imparcial, aboliu a balança porque ele não foi equilibrado. Só usou a espada para punir mesmo contra os princípios do direito. Não honra seu cargo e apequena a mais alta instância jurídica da Nação.
Ele, como diz São Paulo aos Romanos:”aprisionou a verdade na injustiça”(1,18). A frase completa do Apóstolo, considero-a dura demais para ser aplicada ao Ministro.
Leonardo Boff foi professor de Etica na UERJ e escreveu Etica e Moral: em busca dos fundamentos, Vozes 2003

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A maravilhosa viagem de bicicleta que rendeu um livro

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2013/11/28/livrorevela-riquezas-expedicao-de-bicicleta/

Rio: Os efeitos da exploração destrutiva do capital já começam a aparecer no dia a dia.

Já estamos todos sentindo na pele os reflexos da política destrutiva de modelo cidade-empresa, implementada no Rio pelo grupo de Eduardo Paes, em que a lógica é a do lucro a qualquer custo - seja para os megaeventos e suas desapropriações desumanas, seja do comércio em geral, onde a ideia é arrancar o couro do freguês, ou uma simples entrada para um jogo de futebol onde um pai de família trabalhador não pode mais levar o seu filho.
O Rio agora é um lugar para poucos e o perfil pra se viver aqui está parecendo ser o dos espertos e endinheirados. Está virando a cidade do "pagou-levou", e cidadania por aqui está sendo trocada pela mentalidade estúpida do "já que paguei caro, posso fazer o que quiser"
E aí, é o salve-se quem puder, a intolerância vai aos poucos substituindo a velha e boa camaradagem do carioca. A falta de educação está beirando o insuportável, podem reparar, as pessoas se engalfinham por qualquer motivo, no trânsito ou nas calçadas, parece que a população incorporou a máxima dos poderosos e da elite predatória e vai pro espaço público levando toda a sua vontade de se dar bem.
O que poderia ajudar a inverter isso, é a Educação, o lugar onde formamos nossos cidadãos. Mas posso assegurar aqui que a coisa tá difícil. Entrar num escola pública e ver por todos os lados, cartazes afixados incentivando os jovens a empreender e observar as metas, que mais parecem peças publicitárias de liquidação de shopping center, realmente não é muito animador...
Mas apesar de tudo eu acredito na mudança. A força que eles estão fazendo para destruir a vida social dessa cidade, para transformar cidadãos em consumidores egoístas, espertos, e intolerantes uns com os outros, é grande, tem sido eficaz, mas ainda assim eu acredito que pode ser revertida.  Um outro Rio é possível, com mais amizade, mais descontração, menos competição e mais solidariedade.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Obrigado, Nilton Santos...

Pelo brilho de uma vida inteira nos olhos do meu pai.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A simplicidade arrebatadora de Terra Firme

Belíssimo, comovente, abrangente e inesquecível!
"Terra Firme é um filme fortíssimo! O tema é muito delicado. As diásporas e movimentos migratórios são fenômenos que acompanham a história da humanidade. Porém, um bastante recente, a globalização, em vez de solucioná-los só piorou a situação. Se aliarmos as diferenças regionais com a crise que se instalou, especialmente na Europa, desde 2008, temos uma receita explosiva. Especialmente para a Itália, que com suas inúmeras ilhas, está mais próxima do continente africano, destino preferencial dos migrantes expulsos de seus lares por incontáveis e intermináveis guerras civis, fome e total penúria socioeconômica. Só que estas ilhas também estão com um panorama tão débil e decadente quanto, guardadas as devidas proporções. E o filme mostra estes axiomas de forma única. E aí são incluídos outros temas tão relevantes quanto o caos climático, a destruição do meio-ambiente, o impacto do turismo nos microcosmos sociais dessas frágeis populações autóctones. Um filme de cenas muito fortes, diálogos igualmente comoventes e planos que focam em close os olhares dos atores que falam e dizem mais que o melhor dos textos. Lindíssimo, termina com a surpresa da volta à cena da belíssima canção francesa Le Vent Nous Portera, que também compõe a trilha de Os Belos Dias. E uma cena, na qual a imigrante etíope conta em um italiano lacônico sua epopeia é de tirar o fôlego e outra na qual nada é dito, mas de forma emblemática une as realidades europeia e africana no mesmo drama no abraço e lágrimas de duas fantásticas atrizes. Filmaço, absolutamente imperdível!" (M.F)




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os braços cruzados que entrarão para a história

                        Parabéns aos nossos bravos atletas!


http://blogdojuca.uol.com.br/2013/11/imagens-para-mudar-para-melhor-o-futebol-do-brasil/

Joaquim Barbosa e a banalidade do mal


Terra Firme

Semplicemente incantevole!
                                         

 
                                        
                                                                 
           
                                                                         

Resquícios de coletividade num mundo regido pela lógica do indivíduo. Uma obra prima!



domingo, 24 de novembro de 2013

Eduardo Galeano e as quatro questões sobre a crise ambiental

Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tempos obscuros nas redes sociais reflete na baixa qualidade do Congresso, que só age por ondas, como fez na Pec 37.

“Um representante da Fiocruz alerta que, a partir da próxima semana, o instituto poderá paralisar todos seus estudos em vacina, devido a um projeto que caminha célere na Câmara, proibindo testes em animais.”

O advento das redes sociais, o espaço aberto para as minorias, tornaram-se moedas de duas faces. Há uma face legítima, de consolidação dos direitos de minorias. E uma face complexa, do avanço do obscurantismo em várias direções.

Um representante da Fiocruz alerta que, a partir da próxima semana, o instituto poderá paralisar todos seus estudos em vacina, devido a um projeto que caminha célere na Câmara, proibindo testes em animais.
Foram dez anos de estudos intensos que resultaram na lei Sérgio Arouca, para disciplinar testes em
 animais. É considerada das leis mais avançadas do mundo. Bastou um grupo de celerados invadindo um laboratório, o espaço aberto pela Rede Globo, para o Congresso avançar em um projeto que pode comprometer a vida dos brasileiros.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

PT finalmente se manifesta em defesa do projeto de governo que mudou a cara do Brasil.

Antes de destacar os pontos principais desse documento histórico, queria fazer umas considerações. É inegável e salta aos olhos de qualquer cidadão com o mínimo de capacidade analítica e sensibilidade social, o que aconteceu no nosso país nos últimos 10 anos. O Brasil cresceu, distribuiu renda, aumentou o poder do salário mínimo, gerou milhares de empregos  e saiu - com políticas econômicas e sociais acertadas - do abismo inexorável para o qual estava caminhando nos anos de recessão e desemprego que o neoliberalismo do governo anterior estava nos levando. Quanto a isso já escrevi diversos posts nesse espaço.

A partir de 2002, vivemos num novo Brasil. Um país mais justo, com milhares de pessoas sendo incorporadas a vida social minimamente digna, com crianças deixando de morrer de fome, com uma economia mais sólida, aliançados com nossos vizinhos da AL e respeitados lá fora; isso é um fato, reconhecido hoje até pela mídia oposicionista.

Mas, por outro lado, não posso deixar de perceber que o lulismo, cuja lógica maior se deu através da intervenção radical na mudança de rumo da máquina governamental, está prestes a se esgotar. A contribuição do Partido dos Trabalhadores para o destino  do nosso país, relegado por quase 500 anos a sorte de uma elite predatória, que sempre governou apenas para si própria,  foi dada e estará marcada indelevelmente nos livros de história.

Mas creio que é chegada a hora de um novo passo, uma nova lógica de governança, um novo horizonte precisa se abrir para além da inclusão social e, paralelamente a isso, uma nova forma de fazer política urge em nosso país.

O episódio do chamado "mensalão"  fecha um ciclo, que ao meu ver, deve ser aproveitado pelo partido para fazer uma profunda revisão e , acima de tudo, uma autocrítica com relação aos caminhos, antes inevitáveis , que teve que trilhar. E por que eu digo “antes”? Porque, naquele momento, não havia alternativa ao PT recém chegado ao poder que não o de se aliançar as velhas raposas do cenário político nacional, e jogar o único  jogo a ser jogado dentro desse sistema podre que virou o presidencialismo de coalizão brasileiro.

Era aquilo que se dispunha pela frente pelas vias democráticas possíveis, ou então dar uma banana para os velhos coronéis e os demais gangsters do nosso cenário político, governar com as bases e o povo, como fez Chávez na Venezuela. Mas aí eu convido você a uma reflexão honesta agora: Se governando com Sarneys, Renans e Jeffersons da vida, sem incomodar os banqueiros e sem mexer na estrutura fundiária desse país, já se causou um alvoroço desses na “Casa-grande”, imagine se o PT resolve chegar lá e ser o velho PT de sempre, radical, isolado e amarrado na  bandeira vermelha terror dos generais e da direita desse país?

A resposta é essa mesma que você está pensando: Não completaria nem um ano no poder. Seria defenestrado pela elite nacional com toda a força e por todos os meios de que sempre dispuseram: Na mídia, nas instituições jurídicas e, quando necessário, até nos quartéis. É isso mesmo, a nossas elite é tão egoísta, o nosso país é tão desigual e de mentalidade ainda escravocrata que o pensamento dos eternos donos do poder, que não suportam sequer dividir os “seus” aeroportos, é o mesmo revelado certa feita pelo senador do DEM, Jorge Bonhausen que disse em tribuna que o "Brasil tinha mais é que se livrar dessa raça pelos próximos 20 anos."

Bom, mas voltando ao que dizia, acredito firmemente que o momento agora é outro. O PT já está no poder há uma década, com ampla aprovação popular e caminhando para sua quarta vitória nas urnas!  Nesse tempo, logrou um capital político suficiente para começar a se livrar, pelo menos aos poucos, de certas figuras indesejáveis. Hoje, gente da estirpe de um corrupto rasteiro como Roberto Jefferson, não pode mais ditar as cartas nesse jogo de barganha obsceno dos subterrâneos da política. Vejam agora o enorme prejuízo que foi ter aceitado participar de um esquema nacional para pagar caixa 2 a essa gente. E pouco importa se é uma praxe do nosso sistema, pouco importa se isso é feito até no PSOL do puríssimo Chico. A diferença é que a sobra de campanha lá vai pra alimentar a “ralé” e não para uma  raposa de altíssima periculosidade como o ex-presidente do PTB. Dar dinheiro pras galinhas e ser descoberto, é só ir mandar elas cacarejarem noutro galinheiro, mas pra raposa não, a raposa, cai atirando, e aí deu no que estamos vendo hoje.

E tudo que a nossa mídia queria era uma história mirabolante como essa, não importa que tenha vindo da boca de um mitômano incurável dos tempos do "Povo na Tv", envolvido em escândalos e mais escândalos de corrupção, o que importava era “tirar a raça de lá a qualquer custo”, mobilizando  a opinião pública diuturnamente e interferindo até no ego e na suprema vaidade de déspotas togados.

O partido agora tem a obrigação de fazer uma profunda revisão para iniciar um novo ciclo na sua trajetória de poder. O lulismo, ao meu ver, conforme diagnosticado pelo André Singer, está saturado. O Brasil precisa de mais. Precisa caminhar sobre outras bases.  Estamos prestes a erradicar a miséria extrema, os programas de transferência de renda ainda precisam fazer a roda girar, mas não é só o nosso sistema político que precisa ser reformado, o nosso quadro social começa a apresentar preocupantes sinais de esgotamento. A inclusão de brasileiros no mercado, o acesso a cidadania via consumo, foi extremamente necessário, mas já começa a cobrar seu preço.

É preciso investir em Educação urgente, aliás é preciso uma revolução educacional nesse país para que lá na frente não lamentemos uma crise de valores tamanha que pode comprometer não só a vida nas cidades e no campo, mas o meio ambiente, as famílias e todo nosso organismo social. O brasil precisa dar um salto civilizatório, sob pena de deixarmos milhares de brasileiros a mercê dos parâmetros fúteis e vazios de uma  elite ignorante, consumista e preconceituosa.

E enquanto a mídia empresarial e a direita partidária sabotam a Reforma Política para continuarem lucrando com a corrupção e fazendo a classe média acreditar no seu discurso moralista-udenista, é possível sim fazer diferente, deixando aquelas velhas práticas para trás e inaugurando um novo momento. Sair do lado dos caciques do PMDB e, de mãos dadas com o povo que sempre esteve junto em todas as horas, buscar apoio na imensa população trabalhadora desse país, que acredita nesse projeto e sente a melhora da vida na pele, caminhar com o povo do campo promovendo a Reforma Agrária e chamando os movimentos sociais para o centro da agenda política. É assim que tem que governar um partido da envergadura do PT, a hora é agora !

A direita brasileira jamais perdoará a chegada de intrusos no poder, jamais.  Que esse episódio, com a prisão de dois líderes gigantescos da esquerda, José Dirceu e José Genuíno, dois homens que contribuíram decisivamente para que hoje vivamos numa democracia, sirva de lição para o futuro.

Um Brasil ainda melhor está surgindo. Eu acredito!



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Luis Nassif Online

Confesso que cortei um dobrado para conseguir formar opinião a respeito dessa polêmica cabeluda apelidada na mídia de "Batalha das biografias". Procurei  ler, me inteirar sobre o assunto por onde pude, mas não foi nada fácil. Acho que é um dos assuntos mais difíceis que me lembro, de tomar uma posição. O embate entre liberdade de expressão, o grande pilar da democracia desde a Revolução Francesa, e a preservação da vida privada, a garantia que o indivíduo tem da ditadura coletivista quando esta invade a sua última reserva de proteção da identidade, é briga de cachorro grande, difícil de se posicionar de imediato.

Minha inclinação inicial era a de que se proibisse terminantemente biografias não autorizadas. Acho que a vida pessoal, de quem quer que seja, deve ser absolutamente sagrada. Mas, refletindo mais sobre o assunto, fui mudando aos poucos meu pensamento. 

Continuo a favor da proibição, mas creio que para essa ser efetiva e universal deve vir também acompanhada de outras medidas contra os abusos que podem causar estragos não só na imagem e na honra, mas na integridade física, financeira e até psicológica das pessoas. 

Quem não se lembra do caso da Escola Base em que os donos foram linchados na mídia, acusados de pedofilia, e no final de todo aquele escarcéu, julgados inocentes de tudo o que lhes imputaram. Suas vidas estão arruinadas até hoje. 

E no caso do livro de Monteiro Lobato, Reinações de Narizinho, onde a mídia e muitos formadores de opinião foram a favor de que o MEC não fizesse sequer uma nota de referência a trechos de racismo explícito. Os danos que isso pode causar numa criança negra, ainda em formação de sua identidade, podem ser indeléveis, muitos alegaram.

E o que dizer do humor politicamente incorreto, onde piadas homofóbicas, outras envolvendo estupro, nazismo e tudo de mais abjeto "passam batidas", não se respeitando o direito das mulheres, judeus e demais minorias?

E os textos e artigos falsos que circulam aos montes por aí na internet e quem ninguém mais sabe quem escreveu nesse "quem é quem alucinado" que se tornou a rede. 

E as falsas informações, os boatos, as montagens, as notícias inventadas no facebook. Dia desses saiu uma lista das 10 maiores enganações que as pessoas caíram como um pato compartilhando, se envolvendo e até se mobilizando para ajudar. De gente "morta" que ainda está viva, a lei que nunca existiu, bêbado famoso que jamais tomou nada além de refrigerante, etc.

Enfim, pensando de forma mais abrangente, sou a favor sim de que vida privada seja preservada, mas que isso venha ensejado numa garantia total ao direito a vida da pessoa humana em toda a sua plenitude. 

Aí que entra a questão (por isso é um caso complexo e exige de nós uma reflexão bastante cuidadosa). Vivemos numa sociedade aberta, jamais, na história da humanidade se experimentou tanta liberdade como nos dias atuais. Somos todos públicos e essas fronteiras (com o privado), principalmente depois do advento das redes sociais, estão cada vez mais se diluindo.

 Não vejo isso com tanto otimismo como algumas pessoas, muito pelo contrário, sou bastante temerário desse excesso de invasão e evasão da vida privada. Acho uma coisa pesada (espiritualmente falando) a profusão de flashes, paparazzis de si mesmos nesse gigantesco mercado das notícias privadas, onde cada um de nós, de alguma forma, se expõe para o mundo e espia o mundo dos outros. Como disse de forma brilhante o filósofo Zygmunt Ballman, analisando o fetichismo da mercadoria em Marx, nós nos transformamos hoje na própria mercadoria, empacotada, embalada para o consumo alheio. 

Faço essa ponderação para mostrar que, pensando melhor, começo a perceber que a minha vontade dentro dessa estória, não passa de uma utopia na sociedade moderna . É impossível dar conta hoje de tanta usurpação da liberdade, falta de bom senso, mentiras, leviandades, blasfêmias, agressões de imagem etc. O tecido social está esgarçado a tal ponto que já não conseguimos mas sequer perceber as evasões e as invasões nesse caldeirão alucinado de vozes, falas e imagens que consumimos e somos consumidos no "mundo da representatividade" que escolhemos viver como grupo social. Nossa sociedade escolheu, através das ferramentas que dispõe, viver no mundo da ilusão. Realizar trocas não pelo coração e pela intuição, mas pela imagem que as pessoas vendem de si mesmo no mercado das ilusões.  

Sendo assim, concluo dizendo que, na minha visão romântica, permaneço contra a biografias não autorizadas, mas na minha visão realista, pé no chão,  acho que elas devem ser liberadas, simplesmente por ser impossível dar conta de tudo que (justa e compreensivelmente, ressalte-se)  teria que vir a reboque. 

Acho que faz parte do processo civilizatório a humanidade de tempos em tempos ir parando para refletir e avaliar a possibilidade de novas formas de convívio mais adequadas a seu tempo histórico. Quem sabe talvez não estejamos precisando mesmo ser provocados (no bom sentido) a nos tornar sujeitos mais críticos e reflexivos? Sujeitos que não acreditem em tudo aquilo que se publica e se fala por aí nessa avalanche informacional que se tornou o nosso mundo. Sujeitos que desenvolvam melhor  sentidos como o olfato, o tato e a visão, que possam sentir  melhor o cheiro das pessoas, olhar nos seus olhos, tocar no seu coração. Estamos todos quase que enfeitiçados pela ditadura da visão, onde os excesso de flashes coloridos sobre o outro e sobre nós mesmos, de uma certa forma nos limita e nos sabota enquanto seres sociais plenos que somos. 

O filósofo Leandro Konder dizia a pouco tempo atrás que a sociedade moderna estava se caracterizando "pela atrofia da capacidade de duvidar". Ele disse isso numa era pré-redes sociais. Se de fato ele tinha razão há 15 anos, e acredito piamente que tinha, e se isso foi recrudescendo, vocês conseguem notar a enorme distância, o gigantesco fosso que se formou entre o sujeito e o conhecimento? Num mundo fantasioso das mil versões e verdades, onde a produção de discursos e efeitos imagéticos  foi democratizada de forma veloz nas redes sociais, a capacidade crítica das pessoas não pode de jeito nenhum caminhar na direção oposta. Mais do que um contrassenso, seria desperdiçar uma oportunidade histórica para crescermos e evoluirmos de forma saudável do ponto de vista do conhecimento compartilhado.

Assim, agora ainda mais convicto da minha opinião, penso mesmo que deve-se mesmo liberar as biografias e tudo o mais, protegendo apenas as crianças e o que possa estar de alguma forma relacionado a chaga da escravidão que, a meu ver, deveria ser encarada aqui no Brasil como o Nazismo na Alemanha. 

Acho que, não tem mais jeito, a sociedade terá mais hora menos hora que se adaptar a essa nova realidade que é inexorável. Todos falamos o que quisermos em todos os canais e fóruns de que dispomos. Mídia oficial, biógrafos, escritores, blogueiros, cidadãos comuns sem seus facebooks e twitters, somos todos públicos e produzimos visões e versões sem nenhuma restrição ou filtro. Duvidar do que se ouve, ir checar, correr atrás das informações, conhecer melhor o ser humano por trás daquela pessoa que aprendeu "a jogar o jogo" e se produziu para consumo virtual, pode ser um grande passo civilizatório no país das adesões imediatas, com uma população de baixo grau de criticidade, das mais manipuláveis do mundo.

Os nascidos nessa nova sociedade, aprenderão a lidar com isso. Nas salas de aula os alunos serão orientados por seus mestres a duvidar de tudo, a questionar as fontes ir atrás do conhecimento, saber quem são as pessoas, senti-las mais de perto, na conversa de banco de praça, método antigo, mas que nem toda tecnologia que chegamos conseguiu inventar melhor. Saberão que tudo o que se diz, se escreve e se posta deve ser criticado. Uma nova educação surgirá, mais democrática e de qualidade. E aos mais antigos, como eu, que se incomodarem com versões fantasiosas que porventura possam ferir a sua honra, fica a sugestão daquele velho e famoso grego das palavras sábias. Quando questionado pelos seus discípulos se não iria reagir as pessoas que estavam o difamando pela cidade, Sócrates apenas disse: "Não farei nada, pois o que elas proferem não diz respeito a mim"